ARTE FEMENINA

ARTE FEMENINA

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

OLHOS PARDOS


Verdadeiros são os tamanhos
Desses olhos pardos
Brilhantes e translúcidos

Repleto de desejos
Aquecidos com a água
De um rio eterno…
Assim brilha esse rio
Que corre entre falésias
E que mergulha nele a saudade…

A frescura da sua água
Que toca no teu corpo,
Dando esse toque
Subtil de prazer e paz,
Que há de refrescar
Esses sentimentos de fantasia
Que ficam guardados
E que tu não deixas ver…

GESTO FORMOSO


Dá-me agora esse som
De alegrias e fantasias
Que se encontram penduradas
Nas perfundesas do passado distante
Desse teu gesto formoso
De eterna saudade…

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

SILÊNCIO E LOUCURAS


Silêncio de saudade e loucura
Que transmite calma e tranquilidade
Na escuridão do infinito
Na sombra esquecida
Que brilha no fundo constante,
Desafio de algo acontecer.
O silêncio inquietante da noite
De prazer, calma e alegria
De acontecer uma loucura
Que fica no pensamento
E que desejamos recordar o futuro
Que acorda fluorescente na imensa
Ternura da saudade.

PALAVRAS ESCRITAS


Palavras escritas são
Escritas com a mão e o coração
Que despertam o desejo de enorme paixão
Por o que fazemos e o que dissemos
Histórias que permanecem escondidas
Obstruídas por algo sem sentido
E que queremos desejar
Com o coração e a alma
Um dia recordar.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

PALAVRAS CONTADAS


Já não gritam
As palavras contadas
No tempo do medo
Nem moram os sonhos
Na voz do segredo.
Palavras, palavras,
Tão pouco estimadas
Em percursos medonhos
Que em esperança se agitam…
Que palavras cantaremos
Nesse desterro
De enganadora alegria.
Palavras para a noite
Palavras de desespero
Ou apenas a palavra do dia!


PALAVRAS CONTADAS E ESCRITAS,QUE ALGUM DIA SERÃO SEGUIDAS PELOS OS NOSSOS SENTIMENTOS...:)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ESTRELA



          





  Eu caminhei na noite
 Entre o silêncio e frio
Só uma estrela secreta me guiava



Grandes perigos na noite me apareceram
Da minha estrela julguei que a imaginara
Verdadeira sendo ela só reflexo
De uma linda cidade enfeitada

A minha solidão me pareceu á toa
Sinal de perfeição á minha frente
Mas vi quando o vento me iluminava

Que a coroa que eu levava era de um ferro
Tão pesado que todo me dobrava
Do frio das montanhas eu pensei
«Minha loucura que me cerca e me rodeia»
Porém o meu pensamento desapareceu
E a loucura das coisas cintilava
E eu vi que esse brilho não era eu
E da fraqueza da carne da miragem e do espírito

Em límpida voz se transformou
Disse ás pedras do monte que falassem
Mas elas como pedras se calaram
Sozinho me vi delirante e perdido
Como uma estrela imaginária sucumbida.








segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

ÁRVORES NA NOITE



Suam árvores de timidez
Na noite de saudades pelo dia
Da noite pela noite e sangue
Onde a fuga principia os movimentos da dor
As dores ressuscitam os movimentos na noite
Para se tornarem tranquilas
Para serem o frio da noite
Frio que nos deixa e escorre
Em ruídos sem emoção
Estilhaços que partem na direcção antiga
Intimo de cantares mulheres que ardem
Sem destino ou na conquista do mundo


Em lençóis brancos de linho
Se possíveis me fossem
As dores de ver felizes nos outros
As minhas dores
Enviava-te uma parcela de gesto
Por um fio que atravessa a noite
Entre os pinheiros erguidos de suspeita


Seriamos felizes distantes e sós
Com a mesma noite que nos separa
Noite que a todos separa
Noites que se esquecem uma das outras
Para serem iguais
Felizes por gestos de dor
Dores que os outros vencem dormindo

Seriamos distantes para que elas fossem iguais
Nas dores dos outros
Passarmos por mãos a ler no sol
Destinos incrédulos de pares alegres
Que a vida pagou em lúcidas manhas

Eu sonho dormir com o poder do gesto
Aproveitando esta hipótese pequeníssima
De me quebrar em memórias tuas
Mais que o conhecimento que tenho de saudade

Mesmo na noite só a que nos separa
Entre mim e o tocar no frio
O teu sorriso e ânsia de não ter fim
Ouço só no caminho que admito por passar perto
As mulheres solenes
Em túnicas de calma
Procurando-te por mim
Para a conquista do mundo
Em lençóis brancos de linho.




POEMAS PALAVRAS SÃO


Poemas palavras são
Sentidas umas vezes sim
Outras vezes não.
Fingidas
Imaginadas
Dizem sempre quase tudo
Mesmo quando
Escondem pequenos nadas.
Poemas palavras são
E contudo
Gravam fundo na memória
As coisas que já lá vão
Contam sempre uma história
Um sonho um sentimento
Ou uma paixão.
Poemas palavras são
Lançadas ao vento
Ou pelos caminhos
Por onde queremos andar.
Depois de escritos
Já não podem parar.


A GRUTA



O esplendor que poisa calmamente sobre o mar. E
- que entre duas pedras erguidas numa relação e equilíbrio
onde tudo é medido – quase me cega a perfeição como o sol olhando de frente. Mas logo as águas verdes na sua transparência me diluem e em mergulho toca o silêncio azul e rápido dos peixes. Porém tanta beleza não só é solene mas inumerável. De forma que vejo o mundo nascer e se criado. Um enorme peixe vermelho diante de mim que nunca antes o imaginara. Limpa a luz e o brilho dos rochedos. È igual a um sonho lúcido e acordado. Sem dúvida um novo mundo me pede novas palavras, porém é tão grande o silêncio e tão claro e transparente que muda a cor do meu rosto na superfície das águas lisas como o chão.
As imagens que atravessam os meus olhos, caminham para além de mim. Talvez vá ficando igual á armadilha da qual os pescadores dizem ser apenas água.
Estarão as coisas deslumbradas a ser elas? Quem me trouxe a este lugar? Grita a vaga no interior da gruta rouca e a maré retirando deixou redondo um quarto de areia e pedra. No centro da manhã, no circulo do ar e do mar, no alto penedo, no alto da coluna mantida a frescura branca do mar. Desertas surgem as pequenas praias. Eis o mar e a luz vistos por dentro. Terror e perturbação da secreta habitação cheia de beleza, terror de ver o que nem os sonhos ousariam, terror de olhar de frente as imagens mais límpidas que o meu próprio pensamento. Julgam ser os meus ombros cercados de água e plantas roxas. Atravesso pontas de pedras bicudas onde a arquitectura do labirinto paira roída sobre o verde. Colunas de sombra e luz suportam o céu e a terra. Esse silêncio que rodeia a sala

de água onde os meus dedos tocam a areia rosada do fundo. Abro os meus olhos na tranquilidade límpida e verde onde rápidos, rápidos fogem de mim os peixes. Arcos enormes e redondos suportam esta grande gruta mantida de claridade e espaços imaginários. Os palácios do rei do mar escorrem luz e água. Esta manhã é igual ao principio do mundo e aqui venho eu ver o que jamais se viu.
O meu olhar é liso como o vidro. Sirvo para que as coisas se vejam.
E eis que entro na gruta mas o interior é o mais sombrio das coisas imaginárias, dos seres mais profundos e luzidios que se encontram escondidos no passado. Eu queria poisar como uma flor sobre o mar desse meu amor. Queria que contivesse o para sempre o circulo de espanto das musas. Aqui num liquido sol fluorescente e verde que interrompe o abismo de abrir suas portas.
Mas já no exterior do mar a luz rodeia a balança.
A linha das águas limpas como um vidro.
O azul do mar que predomina nessa imensa glória matinal. Tudo está vestido solenemente de nudez.

E ali queria eu chorar de gratidão com a cara encostada contra as pedras.

sábado, 2 de janeiro de 2010

RUINAS AO LUAR



Apesar das ruínas da vida,
Onde sempre acaba uma ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a perfeição
E nunca as minhas mãos ficam vazias.



O luar que enche a terra de miragens
E tudo é igual a uma viagem,
O vento acordou entre as folhagens,
Uma vida secreta e fugitiva,
Feita de sombra e luz, amor e calma,
Que é a perfeita virtude da minha alma.