ARTE FEMENINA

ARTE FEMENINA

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

MENINO DE RUA


Menino de rua!
Dormes ao relento
Nos lençóis da lua
Na cama do vento.
Vais pedindo esmola,
No lixo vasculhas,
Nunca foste á escola
E disso te orgulhas.


Sem eira nem beira,
Pardal sem ter ninho,
Fugiste á fileira
E erraste o caminho.
O destino teu,
A sorte tão crua,
Por que aconteceu
Menino de rua!



Migalha de gente
Que pena me fazes,
Igual e diferente
Dos outros rapazes,
Menino de rua,
Sem rumo, sem vida,
És frágil, flutua
Que vai naufragar.



Com sua atracção
Perto o abismo está!
Quem te deita a mão,
Quem dele te recua,
Quem te salvará,
Menino de rua!



NO FIM DA ESTRADA



Quando alguém tem em frente o fim da estrada
Onde não á recuo nem paragem
E misteriosa bruma é a paisagem,
Sente o apelo da rota traçada.


Que siga tremendo com coragem,
De alma em revolta ou de alma deslocada,
Revive, passo a passo, essa jornada
E avalia-a, imagem por imagem.

Inevitável é o bater do peito
Com força, ao ver a nitidez
Que age de forma errada, ineficaz:

- Fez o que não havia ter feito…
    - Deveria ter feito o que não fez…
E já é tarde para voltar atrás!






DE PEDRA E CAL


De pedra e cal,
Caíram os meus sentimentos
Como labirintos brancos
Transformados num ser único,
E irreal.
De vidas quadradas
Já ultrapassadas,
Escreveram nesse livro
Escuro e sombrio,
Palavras divagadas
De histórias já passadas.

JARDIM EM FLOR



Jardim em flor, jardim de cor,
Cheias de imagens e de dor,
Em ti se dissolve o mundo enorme,
Carregado de amor e solidão.

A verdura das árvores ardia,
O vermelho das rosas transparecia,
Alucinando a subida
Num túmulo em que tudo germinava.

A luz trazia em si a agitação
De paraísos, deuses e de infernos,
Os sonhos em ti eram eternos
De possibilidade e suspensão.

Mas cada gesto em ti quebrou, denso
Dum gesto mais profundo e contido,
Pois trazias em ti suspenso
Outro jardim possível e perdido.

EU ME PERDI


Eu me perdi na solidez de um mundo,
Eu me salvei na limpidez da terra,
Eu me busquei no vento e encontrei o mar,
De murmúrios, suaves e profundos
Que haverei de salvar.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

OÁSIS



Como um oásis branco era o meu dia
Nele secretamente eu andava
Unicamente o vento me seguia.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

NO ALTO MAR



No alto mar
A luz escorre
Lisa sobre a água.
Planície infinita
Que ninguém habita.



O sol brilha enorme
Sem que ninguém o forme
Gestos de luz.




Livre e azul a água ondulada
Onde se esquece
O sonho de ninguém.



São claros e vastos espaços
Onde sopra o vento
E ninguém delicia o seu momento
Abre nele os seus braços.




terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O PENSAMENTO É UM LINDO MOMENTO


O pensamento é um lindo momento
Onde se encontra o sossego e a paz
Da juventude transparecida
De uma enorme saudade
De sonhar, construir sonhos
De prazer e amizade
Colocar as ideias no lugar
Para conseguirmos derrubar
Todas as barreiras da vida
E e tentar demonstrar
O que somos e o que queremos ser
Não aquilo que os outros
Querem que sejamos.

Vive a vida, não a deixes que a vivam…

ALÉM DO OLHAR


Do centro das certas incertezas,

Vivo amando toda surpresa.
Toda expectativa de beleza,
Vindo com a alma das profundezas.
Pois assim a vida não importa.
Se esse mar ciumento envolve,
 Abraçando esse cantar,

Ofuscando o viço da saudade.
Porque de ausência se faz o dia.
E horizonte então transpira
Transforma-se no fiel da balança,
Guardando após uma esperança.
Além do infinito, mora meu amor.
E esse me aguarda na eternidade.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

SER POETA


Ser poeta é ter dos céus um dom divino,
Viver na terra e no além mar;
È tornar grande quando é pequenino,
É não ter asas e poder voar.


Ser poeta é ter fé que a humanidade
Encontrará no amor da aventura,
Que o sonho anda a par da realidade
E é ser olhado como um visionário.



Ser poeta é sentir que a alma existe
Até nas pedras ao sentirem mágoa,
Ouvir de quanto é mudo a fala triste,
Ver uma estrela em cada gota de água!


Ser poeta é ter na amarga solidão
Companhia de refúgio: A poesia!
Que na alegria ou na desolação
È a amiga a quem tudo se confia.


Ser poeta é sentir a responsabilidade
E revesti-los de dourados véus,
È do mundo os encantos que revelam
E em toda a natureza avistar o horizonte da vida.


Ser poeta é da poesia ser senhor
É escravo de mágica imaginação,
E ser de beleza o criador
No êxtase febril da inspiração.



Ser poeta é a dor de compreender
Sem nunca achar que compreenda a sua
E um poema hilariante dela fazer
Para a vir cantar á rua.



E ao amor perdidamente alguém
Que nos pôs alma e coração a ferver,
Darmo-nos á poesia é ter um bem
Que nos possui para podermos aparecer.



Que conosco partilha a dor sentida,
De nós retém a imagem mais secreta,
Nos ilude e ajuda na subida,
Que os dá vida para além da vida!



Se é isto a poesia, eu sou poeta!